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Último ato de orgulho

João Oliveira
16 de março a 30 de abril de 2016
Curadoria: Eriel Araújo




Release
A RV Cultura e Arte apresenta Último ato de orgulho, exposição individual do artista visual e gravador baiano João Oliveira, com curadoria de Eriel Araújo, com abertura dia 16 de março, às 19h, e visitação gratuita até 30 de abril.

A mostra reúne trabalhos em diferentes técnicas de gravura e é resultado de parte da pesquisa de mestrado do artista em Processos Criativos do PPGAV-UFBA. Entre as obras expostas haverá o lançamento de uma publicação homônima a mostra, livro-objeto com impressão em serigrafia, montagem manual, e tiragem de 100 cópias. Nas palavras do artista, Último ato de orgulho investiga a instabilidade e o aparente caos que pode se estabelecer quando se é confrontado por uma força capaz de romper a superfície daquilo que se acostumou, pelo hábito, a chamar identidade, e explora alguns gestos mínimos que podem assumir esta função no processo artístico. O último ato orgulho inicia o desprendimento".

Parte de uma programação voltada para artes gráfica realizada pela RV Cultura e Arte, a mostra tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia e convida o público para uma conversa com o artista e curador, além de uma oficina de monotipia, ambos a serem realizados no dia 19 de março a partir das 10h.

Sobre o artista
João Oliveira (Salvador-BA, 1989) é artista visual e mestrando em Artes Visuais pela EBA-UFBA, onde também se graduou em Artes Visuais. Trabalha com técnicas de gravura, desenho, suas interseções e desdobramentos em outras linguagens. Suas exposições selecionadas incluem “Esquizópolis”, MAM, Salvador-BA, “Prêmio Gravura EVA Parque Lage + MUL.TI.PLO Espaço Arte”, EVA Parque Lage, Rio de Janeiro – RJ, duas edições do “Salão de Abril”, Fortaleza – CE, e cinco edições do “Salão de Artes Visuais da Bahia”, onde recebeu menções especiais e prêmio. Outras realizações incluem residências artísticas no Museo Universitario Del Chopo, México, e na Scuola Internazionale di Grafca di Vezeia, Itália.


Texto curatorial
O desejo do fazer, muitas vezes, esbarra no desejo do impossível. O medo, a vaidade, a incerteza ou até mesmo a determinação sobre um ato nos conduz para um canto, a morada do conhecimento. Um lugar de compartilhamento de meios, onde muitas coisas são possíveis. Contudo, poucas são potentes o suficiente para nos arrastar até o inefável.

Riscar uma superfície ou moldar o próprio corpo sobre esta, por exemplo, é uma experiência que nos coloca à prova sobre a resistência e a fragilidade que enfrentamos ao longo da nossa existência. Assim também são os materiais que ingerimos e tocamos, nos quais os contatos e interações estão subordinados ao espírito e à psique. Contudo, mergulhados num caldo social, algumas vezes emergimos até a superfícieborda para tentar perscrutar outras realidades, aquelas que estão além, mas estão em conexão com o aqui, dentro.

Último ato de orgulho é uma obra que procura dar visibilidade a essas conexões, na qual João Oliveira deambula entre ideias, técnicas e materiais na tentativa de despertar a potência existente no desprendimento do hábito, do conhecido. A gravura em metal é seu norte, mas outros materiais e meios vêm interrompendo o fluxo de seu trabalho, desestruturando o conforto da técnica para instaurar outras situações, outras obras. As imagens produzidas por João são oriundas de situações vividas no cotidiano ou apropriadas dos meios de comunicação. Contudo, nesta mostra ele usa o próprio corpo como matriz de reproduções únicas, aproximando o fazer da gravura com os atos performáticos e condições sígnicas de uma imagem, material ou objeto.

A seleção dos trabalhos para esta mostra carrega em si o tempo como elemento de persuasão na definição das peças: tempo de um abraço, tempo de imersão, tempo de contato entre materiais e meios, tempo de espera, tempo de leitura, tempo de interpretação. As resultantes, por sua vez, atingem uma unicidade de forma, imagem ou qualidade gráfica. E a escassez de significado imediato, ou mesmo sua ausência, configura um estado de leveza, ainda que o peso dos materiais ou a agressão dos meios estejam presentes, aqui e agora.

A todo instante imagens roçam nossa realidade, escapam, nos movem e nos definem em outras realidades possíveis.

Eriel Araújo
artista-curador


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