Pedro Marighella

Salvador, 1979
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Exposições:
Mata
Artista visual de vocabulário múltiplo Pedro Marighella tem como principais interesses em sua produção o olhar sobre processos culturais, sociais e históricos (o lugar e o tempo), com destaque para o potencial crítico da diversão. Essa busca é sintetizada através de ilustrações, áudios e textos curtos que revelam aspectos de estranheza intrínsecos a esses temas e o resultado de seus trabalhos é um lugar de trânsito através de analogias obscuras e posicionamento crítico. Ganhador da Bienal do Recôncavo de 2011, Pedro também foi integrante do coletivo GIA entre 2003 e 2010.
Visual artist of multiple vocabulary Pedro Marighella is mostly interested in cultural, social and historical (time and place) processes, showing his particular view about the critical potential of recreation. His search is summed up into illustrations, audio pieces and short texts that reveal aspects of strangeness that appear in those themes and consequently, the result of his works is a place of transit through obscure analogies and critic position. Awarded in Bienal do Recôncavo in 2011, Pedro was also part of the collective GIA from 2003 to 2010.


série Templo
acrílica e marcador sobre compensado naval
120x160cm | 2017

série Templo
acrílica e marcador sobre compensado naval
160x120cm | 2017

Crítica

Nas composições dos desenhos da série Mata, Pedro Marighella sugere as interações e as
fricções entre os foliões assim como as dinâmicas de inclusão e exclusão que emergem
no carnaval de Salvador e que são encarnadas pela separação do cordão de delimitação do
bloco. Com intuito de ressaltar o potencial crítico da diversão, o artista isola e redesenha,
a partir de imagens próprias e outras que circulam da internet, esses corpos dançantes sob
um fundo branco. No entanto, não fica claro o que realmente se passa: os indivíduos se
entregam à folia da festa, estão discutindo ou brigando?

(Olivia Ardui, curadora, para a exposição “Esboço para uma coreografia”)

Crítica

Possuidor de um desenho primoroso, Pedro Marighella constrói, muitas vezes, suas obras representando multidões. O detalhamento e o movimento das figuras representadas, simplesmente com traço azul sobre o fundo branco, que descrevem confusões e brigas, se opõem à leveza do traço que lembra a composição de cores dos azulejos portugueses. Sua pesquisa foi feita em eventos de grandes aglomerações humanas, como o Carnaval e as festas populares da Bahia, quando saía tirando fotografias com uma câmera disfarçada em uma lata de cerveja. Marighella é um artista que consegue, sem se utilizar de estereótipos, um trabalho com inspiração regional sem perder a dimensão universal de sua arte.

(Matilde Matos, curadora e pesquisadora, para o livro “50 anos de Arte na Bahia – 2ª edição ampliada”)

Crítica

Pedro Marighella, baiano de Salvador, é neto de Carlos Marighella e neto de Maria Rita, uma bela negra, e um operário italiano. Seu grande mural, construído do lado de fora do Museu Afro Brasil, se contrapõe à paisagem do Parque do Ibirapuera. Esse mural pintado em azul reflete um artista voltado a registrar a multidão imaginária de uma grande cidade, um turbilhão de gente que se aglomera em ação, uma metáfora política com ritmos, formas, linhas, massas, para falar da paranoia de um mundo em transformação crescente e desesperado.

(Emanoel Araujo, curador e diretor do Museu Afro Brasil para a exposição “A nova mão Afro-brasileira”)

série Mata
acrílica e marcador sobre compensado naval
220x250cm (díptico) | 2014