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Jorge Galvão

Curitiba, 1984
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Jorge Torres Galvão é artista autodidata e espalha seus trabalhos na rua desde os 14 anos. Sua breve passagem pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em 2001, inicia uma série de experimentações que combinam o grafite com técnicas de ilustração, colagem e pintura em tela, e mais tarde seu interesse por materiais de descarte trazem sua pesquisa para o terreno da arte contemporânea, gerando esculturas e obras instalativas.

Exposições selecionadas incluem coletivas no Brasil, Alemanha, Lituânia, Bélgica, Espanha e Estados Unidos, além da participação no festival Constructo, no México.

Jorge Torres Galvão is a self-taught artist and spreads his works in the streets since he was 14 years old. His brief time in college at Escola de Música e Belas Artes do Paraná, in 2001, starts a series of experiments that combine greffitti with ilustration tecniques, collage and painting on canvas, and later his interest for discarted materials bring his research to the contemporary art realm, generating sculptures and instalative works.

Selected exhibitions include group shows in Brazil, Germany, Lithuania, Belgium, Spain and the United States, besides being a part of Constructo Festival, in Mexico.




Para Carl Gustav Jung, a obra de arte é um produto das imagens do inconsciente coletivo,
portanto o artista expressa símbolos pré-existentes na memória coletiva da humanidade, sendo
ele um condutor das imagens do mundo invisível para o visível. A reflexão sobre a qualidade
das imagens manifestadas e representadas em forma de arte, as emoções e conflitos
evocados por essas imagens, uma vez conscientizados e imbuídos de significado, podem
possibilitar uma transformação psíquica para o artista. Quando o fluxo de energia psíquica
abandona um movimento repetitivo e infrutífero, através da reflexão e conscientização das
imagens produzidas, torna-se um processo criativo e o resultado é a transformação, tanto da
qualidade das imagens captadas, quanto da manifestação pessoal do artista.

Na primeira fase da obra de Jorge Galvão é possível perceber, através dos símbolos nos seus
desenhos, uma tentativa de separação e diferenciação das imagens conflitivas, caóticas e
desordenadas de seu mundo interno e a necessidade de expressá-las para o mundo externo,
numa tentativa de rompimento e contestação das estruturas sociais. No início de seu processo
criativo, os olhos das figuras desenhadas apareciam abertos, hora assustados, hora
machucados, meio agredidos, com aura soturna.

Nesta segunda fase, momento atual de sua produção artística, surgem seres de olhos
fechados, que trazem do mundo interior imagens que se relacionam positivamente com o
mundo exterior. O conflito interno do artista, que num primeiro momento se manifestou em sua
arte, está hoje dissolvido, o que torna visível a transformação pela qual passou. O encontro
com a profundidade das imagens foi alcançado através de sua busca por respostas espirituais
e psicológicas a sentimentos, visões e percepções do mundo externo e interno. Isso alterou
sua compreensão sobre a existência e viabilizou uma considerável maturidade psíquica e
estética.

“O início do meu processo de psicoterapia, a minha busca espiritual na Umbanda e a mudança
para Florianópolis me possibilitaram um encontro comigo mesmo. Eu gosto de surfar, mas
levava uma vida urbana demais. Então conectado com o mar comecei a perceber coisas
diferentes, sentimentos e emoções mais sensíveis e arejados, a mistura perfeita para aliar a
intuição com o domínio da técnica de pintura adquirido na Faculdade de Belas Artes. Retomei
uma alta conexão com o desenho que eu tinha desde criança e comecei um processo muito
mais profundo de pintura, dando vida a seres de outras dimensões.”

A obra artística de Jorge Galvão apresenta uma releitura instintiva de imagens arquetípicas
registradas em tratados alquímicos do século XVI, símbolos arcaicos das mais profundas
camadas psíquicas revistos por um olhar da modernidade. Essa nova geração de pintores que
nascem na rua se expressando pelo grafite, dos quais Jorge faz parte, reproduzem a mesma
forma de trabalho dos pintores renascentistas que expressavam arte nos tetos das catedrais e
dos palácios antigos.

“Aquela energia densa e soturna que aparecia nos meus primeiros desenhos foi queimada na
primeira fase da minha produção artística, por isso eu atingi agora outros níveis de consciência,
um processo de redescoberta pessoal. Então surge o alquimista que descobre o rei, a cabeça
dourada indestrutível após o corpo esquartejado. Sinto que eu consegui levar a arte para outras
dimensões, uma criação intuitiva, como um para-raios que recebe frequências de dimensões
superiores e às faz fluir na matéria.”

Ao captar e produzir imagens com esta qualidade, Jorge proporciona ao individuo a experiência
psíquica destes símbolos, mesmo que isto não seja compreensível à consciência do público.
Surge então o valor metafisico da obra do artista que torna acessível ao espectador a relação
com seres invisíveis que não correspondem à experiência visível material. A arte passou a ser
a oportunidade do artista se perceber no mundo e ser percebido pelo mundo.

Gisele Sarmento para a exposição Novos Tratados

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