Vânia Medeiros

Salvador, 1984
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Exposições:
Atlântida

Artista visual e editora independente.
Foi criada em Salvador, Bahia e atualmente reside em São Paulo. Investiga o desenho como forma de expressão em diversos suportes e formatos. Seu trabalho realiza-se através de ações/performances e processos colaborativos, ganhando materialidade na forma de livros, exposições, instalações e intervenções urbanas.
É formada em jornalismo pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (2007), pós-graduada em artes no Instituto Universitário Nacional del Arte de Buenos Aires (2008) e mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde investiga cartografias subjetivas e formas de expressar graficamente as experiências do corpo caminhante na cidade.
Visual artist and independant publisher.
Raised in Salvador, Bahia and currently living in São Paulo. Investigates drawing as a way of expression in diferent supports and formats. Her work comes to life in actions/performances and colaborative processes, materializing itself into books, exhibitions, instalations and urban interventions.
Vânia graduated in Jornalism at Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (2007), post graduated in arts at Instituto Universitário Nacional del Arte de Buenos Aires (2008) and recently obteined her master degree at Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, where she studies subjective cartographies and ways to express graphically the experiences of a walking body in the city.



série Ilhazinhas de calor
pigmento e grafite sobre papel
42x60cm | 2016
Crítica
De súbito, um caminho.
Por vezes, o que parece único é plural, o que é plural será ainda mais. Aqui, os caminhos que eternamente se bifurcam, possuem um tênue equilíbrio entre a aproximação e a distância. Uma fantasia, diriam alguns. Outros contam que Platão soprou aos ouvidos dos mares distantes histórias sobre a existência desse lugar. Não é menos verdade, contudo, que neste mundo, que são muitos, o tempo escorre, tangente à velocidade das transformações contemporâneas da paisagem.
Porém, o que importa é o desvio.
Ao olhar para um lado e para o outro, percebemos, deambulantes, que por puro acaso, ou por sorte, estamos entre linhas que traçam fragmentos de caminhos que
delineiam nosso olhar em um registro gráfico de movimentos entre a presença e a ausência.
Mapeamento de rastos de todo o vivido e acontecido nessa história sobre o trânsito de ser no tempo e a sua passagem pelos espaços.
Mas lembrem-se, derivar é verbo presente.
Norte? Sul? Não importa, não estamos tratando de direção, mas de um convite à experimentação da erraticidade imanente do pensamento.
Para além de horizontes históricos, ilhas brotam, icebergs fervem, cores explodem. Esse mundo-arquipélago certamente é feito de forma difusa, vaga, incerta, flutuante, pois estamos entre caminhos, no meio, água, mar, gelo, fogo.
Contudo, caminhos imprecisos também praticam a solidez das pedras na escritura que pulsa um corpo irreprimível em ação.
Trata-se de uma atividade incansável em
exercitar um desmanchamento de si com a prudência necessária ao se compor, decompor e recompor.
Um senhor chamado Proust disse certa vez que a verdadeira viagem de descoberta não consiste em ir a novos lugares, mas em ter outros olhos.
Aqui estamos: neste arquipélago de rotas e propostas de viagens diversas, mais do domínio da intensidade do que da extensão, Vânia Medeiros fez emergir com a força de seu traço e seu corpo no espaço percorrido, não uma cidade utópica do fundo do mar, mas caminhos fantásticos e diversos que nos promovem em deriva, um corpo-olho. Cada movimento é uma descoberta.
Pois bem, encontramos o que todos procuravam: Atlântida, um arquipélago de mundos de Vânia Medeiros.


Thais Graciotti


série Intuição
pigmento sobre papel
42x60cm | 2016