ARTISTAS        EXPOSIÇÕES        FEIRAS DE ARTE         PUBLICAÇÕES        PROJETOS        INFO        LOJA        ︎

Vânia Medeiros

Salvador, 1984
︎
Vânia Medeiros busca abordagens transdisciplinares em seus processos de criação e tem dialogado com saberes da etnografia arquitetura, geografia, design e educação. Tem o desenho como um dispositivo de investigação em processos pessoais e relacionais, que ganha suportes diversos nos espaços expositivos, em ações urbanas e no livro.

Sobre seu trabalho, o curador Carlos Delgado Mayordomo escreveu: “A obra de Vânia Medeiros questiona a importância dos mapas subjetivos, gerados pelo próprio psiquismo do cidadão, como dispositivos táticos capazes de oferecer conhecimento do espaço para além do ponto de vista panóptico e impessoal oferecido pela cartografia tradicional. Sua obra se materializa em diversos formatos, principalmente em pinturas, publicações, instalações e intervenções urbanas que sugerem a transformação de experiências pessoais em estradas e paisagens. Nesse sentido, sua obra é herdeira do movimento situacionista, para o qual a desorientação e o deslocamento serão qualidades inerentes à dinâmica da metrópole, agora convertida em ‘playground, aventura e exploração’ e onde o cidadão se encontrará em uma desorientação constante”.

Exposições selecionadas incluem a individual "Atlântida" na galeria RV Cultura e Arte, em 2017; a coletiva "⦿", com curadoria de Catarina Duncan na Galeria Leme, em 2018; e mais recentemente o 36º Panorama da Arte Brasileira: Sertão, com curadoria de Júlia Rebouças. Vânia também foi indicada em 2017 e 2018 ao Prêmio Select de Arte e Educação, com o projeto Caderno de Campo e sua obra é parte do acervo do MAM-SP.
Vânia Medeiros seeks transdisciplinary approaches in her creative processes and has estabilished a dialogue with knowledges from ethnography, architecture, geography, design and education. For her, drawing is a device to investigating personal and relational processes, which appears in diverse supports in exhibition spaces, in urban actions and in publications.

About her work, curator Carlos Delgado Mayordomo worte: “The work of Vânia Medeiros questions the importance of subjective maps, generated by the citizen's own psyche, as tactical devices capable of offering knowledge of space beyond the panoptic and impersonal point of view offered by traditional cartography. Her work is materialized in different formats, especially in paintings, publications, installations and urban interventions that suggest the transformation of personal experiences on roads and landscapes. In this sense, her work is heir to the situationist movement, for whom disorientation and displacement will be inherent qualities in the dynamics of the metropolis, now converted into ‘playground, adventure and
exploration’ and where the citizen will find himself in a constant astray”.

Selected exhibitions include  the solo show "Atlântida" at the RV Cultura e Arte, in 2017; the group show "⦿", curated by Catarina Duncan at Galeria Leme, in 2018; and most recently, in 2019, the 36th Panorama of Brazilian Art: Sertão, curated by Júlia Rebouças. Vânia was also nominated in 2017 and 2018 for the Select Art and Education Award, with the project Caderno de Campo and her work is part of the collection of MAM-SP.

Obras disponíveis







De súbito, um caminho.

Por vezes, o que parece único é plural, o que é plural será ainda mais. Aqui, os caminhos que eternamente se bifurcam, possuem um tênue equilíbrio entre a aproximação e a distância. Uma fantasia, diriam alguns. Outros contam que Platão soprou aos ouvidos dos mares distantes histórias sobre a existência desse lugar. Não é menos verdade, contudo, que neste mundo, que são muitos, o tempo escorre, tangente à velocidade das transformações contemporâneas da paisagem. Porém, o que importa é o desvio.

Ao olhar para um lado e para o outro, percebemos, deambulantes, que por puro acaso, ou por sorte, estamos entre linhas que traçam fragmentos de caminhos que delineiam nosso olhar em um registro gráfico de movimentos entre a presença e a ausência.

Mapeamento de rastos de todo o vivido e acontecido nessa história sobre o trânsito de ser no tempo e a sua passagem pelos espaços.

Mas lembrem-se, derivar é verbo presente.

Norte? Sul? Não importa, não estamos tratando de direção, mas de um convite à experimentação da erraticidade imanente do pensamento. Para além de horizontes históricos, ilhas brotam, icebergs fervem, cores explodem. Esse mundo-arquipélago certamente é feito de forma difusa, vaga, incerta, flutuante, pois estamos entre caminhos, no meio, água, mar, gelo, fogo.

Contudo, caminhos imprecisos também praticam a solidez das pedras na escritura que pulsa um corpo irreprimível em ação.

Trata-se de uma atividade incansável em exercitar um desmanchamento de si com a prudência necessária ao se compor, decompor e recompor.

Um senhor chamado Proust disse certa vez que a verdadeira viagem de descoberta não consiste em ir a novos lugares, mas em ter outros olhos.

Aqui estamos: neste arquipélago de rotas e propostas de viagens diversas, mais do domínio da intensidade do que da extensão, Vânia Medeiros fez emergir com a força de seu traço e seu corpo no espaço percorrido, não uma cidade utópica do fundo do mar, mas caminhos fantásticos e diversos que nos promovem em deriva, um corpo-olho. Cada movimento é uma descoberta.

Pois bem, encontramos o que todos procuravam: Atlântida, um arquipélago de mundos de Vânia Medeiros.

Thais Graciotti para a exposição “Atlântida”, 2016.


Los mapas, resultado del trabajo del cartógrafo, son una distorsión de la realidad que selleva a cabo a través de la escala (lo que implica una decisión sobre cuáles son los detallesmás significativos), la proyección (que altera formas y distancias) y el símbolo (elemento gráfico que sintetiza las características de lo real). Sin estas señales, sería tan inútil comoel mapa de Bellman en la historia de Lewis Carroll, que pretendía representar el mar sinvestigios de tierra y que, en realidad, era una hoja de papel en blanco. Cuando JeanBaudrillard dice que “el territorio ya no precede al mapa, ni le sobrevive; en los sucesivo, será el mapa el que preceda al territorio”está anticipando la operatividad, legibilidad y democratización de los mapas en el mundo actual. Ya no herramienta exclusiva deexpertos sino de cualquier ciudadano que lleve uno en el bolsillo, el mapa nos conduce porla ciudad y nos permite habitar el espacio, aun a sabiendas de que ese papel es un ámbito falseando, jerárquico e incompleto.

El trabajo de Vânia Medeiros (Salvador de Bahía, Brasil, 1984) interpela la importancia delos mapas subjetivos, generados por la propia psique del ciudadano, como dispositivostácticos capaces de ofrecer conocimientos del espacio más allá del punto de vistapanóptico e impersonal que nos ofrece la cartografía tradicional. Su trabajo se materializa en diferentes formatos, especialmente en pinturas, publicaciones, instalaciones e intervenciones urbanas que sugieren la transformación de experiencias personales encaminos y paisajes. En este sentido, su trabajo es heredero del movimiento situacionista, para quien la desorientación y el desplazamiento serán cualidades inherentes a ladinámica de la metrópoli, convertida ahora en «un terreno de juego, de aventura y exploración» y donde el ciudadano se encontrará en un constante extravío.

Su propuesta para One Project incluye tres trabajos que reflexionan acerca de lanecesidad de establecer una cartografía de la ciudad basada en las experiencias y losrecuerdos, más que en la disposición de calles, edificios y plazas: "Atlantes", un objetocartográfico compuesto por rocas de jardín y placas de cerámica; la serie "Intuição" dondela artista indaga acerca de las unitées d'ambience enunciadas por el investigador francés Debord; y finalmente el ensamblaje "Variações sobre a grande linha vermelha", donde ncontramos una reflexión en torno a los procedimientos e indagaciones conceptuales deland art.

Carlos Delgado Mayordomo, curador da seção One Project de Art Madrid 2018

︎      ︎     ︎